domingo, 22 de novembro de 2009

Welcome to my life! Take a sit! Choose your role!

A new catalyst is up at the Creative Therapy website. Here is the prompt: Tell us about a time when you realized you had the answer to something you were struggling with where you least expected...

What I had to say about this:
"I struggle a lot while working with my deadlines to make a scrapbooking task. Sometimes, an artistic work is so hard to be elaborated that I think it would be better to give it up. When that happens I realize there’s always an alternative, something in which I haven’t thought of before. I add an extra layer, leave it for the next day or just relax. When I do so, I find the answer I was looking for. Not so surprisingly, the answer is actually simple and it was already in my arsenal of possibilities.  
For this catalyst, I wanted to let my emotions flow, without questioning much. I decided to work the circus/Carnival theme. My page layout is called "Welcome to my life!" Take a sit, choose a role...
It shows the image of a pierrot. And it is weitten: "Pierrot was supposed to be very intelligent, very emotional and usually a very unhappy clown who hid his true feelings under a comic mask".
Photo by Meagan (Urban Pink Photography)


I´ll let you with some Pierrot´s images!



In Portuguese: 

Ainda buscando inspiração na comédia da arte e da vida, no circo e no Carnaval, panos de fundo perfeitos para recontar minha própria história ou meus sentimentos mais secretos, eis que encontro a figura de Pierrot, o palhaço triste que se apresenta com uma máscara de felicidade. E dessa maneira simples e fácil, apresentei um novo trabalho para o blog de desafios Creative Therapy. Sejam bem vindos à minha vida! Sentem-se! Escolham seus papéis!

E, para os felizardos que compreendem a beleza da língua portuguesa, um pouquinho do encanto do poeta Menotti Del Picchia, que escreveu este belíssimo poema lírico em forma de peça de teatro:


Máscaras
Menotti Del Picchia


PERSONAGENS:
Arlequim : Um desejo
Pierrot : Um Sonho
Colombina: A Mulher


Em qualquer terra em que os homens amem.
Em qualquer tempo onde os homens sonhem.
Na vida.



BEIJO DE ARLEQUIM

I

O crescente cintila como uma cimitarra. Lírios longos, grandes mãos
brancas estendidas para o luar, bracejam nas pontas das hastes. Uma
balaustrada. Uma bandurra. Um Arlequim. Um Pierrot E, sobre as
máscaras e os lírios, a volúpia da noite, cheia de arrepios e de aromas.


ARLEQUIM diz:
Foi assim: deslumbrava a fidalga beleza da turba nos salões da Senhora Duquesa.
Um cravo, em tom menor, numa voz quase humana, tecia o madrigal de uma antiga pavana. Eu descera ao jardim. Cheirava a heliotrópio e vi, como quem vê num vago sonho de ópio, uma loura mulher...


PIERROT
Loura?

ARLEQUIM
Como as espigas...
Como os raios de sol e as moedas antigas...Notei-lhe, sob o luar, a cabeleira crespa,
anca em forma de lira e a cintura de vespa, um cravo no listão que o seio lhe bifurca,
pezinhos de mousmé, olhos grandes, de turca... A boca, onde o sorriso era como uma abelha, recendia tal qual uma rosa vermelha.


PIERROT
Falaste-lhe?

ARLEQUIM
Falei...

PIERROT
E a voz?


ARLEQUIM
Vaga e fugace.
Tinha a voz de uma flor, se acaso a flor falasse...

PIERROT
E depois?


ARLEQUIM


Eu fiquei, sob a noite estrelada, decidido a ousar tudo e não ousando nada...
Vinha dela, pelo ar, espiritualizado numa onda volúpia, um cheiro de pecado...
Tinha a fascinação satânica, envolvente, que tem por um batráquio o olhar duma serpente... e fiquei, mudo e só, deslumbrado e tristonho, sentindo que era real o que eu julgava um sonho! Em redor o jardim recendia.
Umas poucas
tulipas cor de sangue, abertas como bocas, pela voz do perfume insinuavam perfídias...
Tremia de pudor a carne das orquídeas... Os lírios senhoreais, esbeltos como galgos,
abriram para o céu cinco dedos fidalgos fugindo à mão floral do cálix longo e fino.
Um repuxo cantava assim como um violino e, orquestrando pelo ar as harmonias rotas, desmanchava-se em sons, ao desfazer-se em gotas! Entre a noite e a mulher, eu trêmulo hesitava: se a noite seduzia, a mulher deslumbrava!

Dei uns passos
Ao ruído agitou-se assustada. Viu-me...

PIERROT


E ela que fez?

ARLEQUIM
Deu uma gargalhada.

PIERROT
Por que?

ARLEQUIM

Sei lá! Mulher...Talvez porque ela achasse ridículo Arlequim com ar de Lovelace...
Aconcheguei-me mais: “Deus a guarde, Senhora!”
- Obrigada. Quem és?
- “Um arlequim que a adora!”


Vinha do seio dela, entre a renda e a miçanga, um cheiro de mulher e um cheiro de cananga. Eram os olhos seus, sob a fronte alva e breve, como dois astros de ouro a arder num céu de neve. Mordia, por não rir, o lábio úmido e langue, vermelho como um corte inda vertendo sangue...E falei-lhe de amor...


PIERROT


E ela?


ARLEQUIM


Ficou calada...
Meu amor disse tudo, ela não disse nada, mas ouviu , com prazer, a frase que renova
no amor que é sempre velho, a emoção sempre nova!

PIERROT
Que lhe disseste enfim?


ARLEQUIM


O ardor do meu desejo,
a glória de arrancar dos seus lábios um beijo, a volúpia infernal dos seus olhos
devassos, o prazer de a estreitar , nervoso, nos meus braços, de sentir a lascívia heril dos seus meneios, esmagar no meu peito a carne dos seus seios!



PIERROT, assustado:
Tu ousaste demais...

ARLEQUIM, cínico:
Ingênuo! A mulher bela
adora quem lhe diz tudo o que é lindo nela. Ousa tudo, porque todo o homem enamorado se arrepende, afinal, de não ter tudo ousado.


PIERROT
E ela?

ARLEQUIM
Vinha pelo ar, dos zéfiros no adejo, um perfume de amor lascivo como um beijo, como se o mundo em flor vibrasse, quente e vivo, no erotismo triunfal de um amor coletivo!


PIERROT, fremindo:
E ela?

ARLEQUIM
Ansiando, ouviu toda essa paixão louca, levantou-se...


PIERROT
Depois?

ARLEQUIM , triunfante:
Deu-me um beijo na boca!

Um silêncio cheio de frêmito. Os lírios tremem. Pierrot
olha o crescente. Arlequim dá um passo, vê a brandura,
toma-a entre as mãos nervosas e magras e tange, distraído,
as cordas que gemem.

ARLEQUIM
Linda viola.


PIERROT, alheado:
Bom som...

ARLEQUIM
Que musicais surpresas não encerra a mudez
destas cordas retesas...

Confidencial a Pierrot:
Olha: penso, Pierrot, que não existe em suma, entre a viola e a mulher, diferença nenhuma. Questão de dedilhar, com certa audácia e calma, numa...estas cordas de aço, e na outra...as cordas d’alma!


Suavemente, exaltando-se:

O beijo da mulher! Ó sinfonia louca da sonata que o amor improvisa na boca... No contado do lábio, onde a emoção acorda, sentir outro vibrar, como vibra uma corda... À vaga orquestração da frase que sussurra ver um corpo fremir tal qual uma bandurra...Desfalecer ouvindo a música que canta no gemido de amor que morre na garganta...Colar o lábio ardente à flor de um seio lindo, ir aos poucos subindo...ir aos poucos subindo...até alcançar a boca e escutar, num arquejo, o universo parar na síncope de um beijo!


.........................................................................................................................................

Eis toda a arte de amar! Eis, Pierrot fantasista, a suprema criação da minha alma de artista. Compreendes?


PIERROT, ansiado:
E a mulher?


ARLEQUIM, lugubremente:
A mulher? É verdade...


Levou naquele beijo a minha mocidade.



PIERROT
E agora? Onde ela está?



ARLEQUIM, ironicamente místico:
No meu lábio, no ardor desse beijo, que é todo um romance de amor!
Seduzido pela angústia da saudade:
No temor de pedi-lo e na glória de tê-lo...
No gozo de prová-lo e na dor de perdê-lo...
No contato desfeito e no rumor já mudo...
No prazer que passou...Nesse nada que é tudo:
O passado!... a lembrança... a saudade... o desejo...


Balbuciando:
Um jardim... Um repuxo...Uma mulher... Um beijo....
(Longo silêncio cheio de evocação e de cismas).

PIERROT, ingenuamente:
É audaciosa demais a tua história...

ARLEQUIM, ríspido:

Enfim,


um Arlequim, Pierrot, é sempre um Arlequim. Toda história de amor só presta se tiver, como ponto final, um beijo de mulher!



O SONHO DE PIERROT



II


PIERROT
Eu também, Arlequim, nesta vida ilusória, como todos Pierrots, eu tenho uma história, vaga, talvez banal, mas triste como um cântico...

ARLEQUIM, sarcástico:
Não compreendo um Pierrot que não seja romântico, branco como o marfim, magro como um caniço, enchendo o mundo de ais, sem nunca passar disso.



PIERROT
Debochado Arlequim!


ARLEQUIM
Branco Pierrot tristonho...

PIERROT
Teu amor é lascívia!


ARLEQUIM
E o teu amor é sonho...

PIERROT
É tão doce sonhar!... A vida , nesta terra, vale apenas, talvez, pelo sonho que encerra. Ver vaga e espiritual, das cismas nos refolhos, toda uma vida arder na tristeza de uns olhos; não tocar a que se ama e deixar intangida aquela que resume a nossa própria vida, eis o amor, Arlequim. , misticismo tristonho, que transforma a mulher na incerteza de um sonho....

ARLEQUIM, escarninho:
Esse amor tão sutil que teus nervos reclama só se aplica aos Pierrots?

PIERROT
Não! A todos os que amam!
Aos que têm esse dom de encontrar a delícia na intenção da carícia e nunca na carícia...Aos que sabem, como eu, ver que no céu reflete a curva do crescente, um vulto de Pierrette...

ARLEQUIM, zombeteiro:
Eterno sonhador! Tu crês que vive a esmo tudo aquilo que sai de dentro de ti mesmo. Vês, se fitas o céus, garota e seminua, Colombina sentada entre os cornos da lua...Quanta vezes não viste o seu olhar abstrato nos fosfóreos vitrais das pupilas de um gato?

PIERROT
Essas frases cruéis, que mordem como dentes, só mostram, Arlequim, que somos diferentes. Mas minha alma, afinal, é compassiva e boa: não compreendes Pierrot. E Pierrot te perdoa...


ARLEQUIM
Tua história, vai lá! Senta-te nesse banco. Conta-me: “Era uma vez um Pierrot muito branco...”
A história de um Pierrot sempre nisso consiste... Começa.

PIERROT narrando:
“Era uma vez... um Pierrot... muito triste... “

Uma voz, na distância, corta, argentina, a narração de Pierrot.

A VOZ


Foi um moço audaz, que vejo
no meu sonho claro e doce,
O amor que primeiro amei..
Abraçou-me: deu-me um beijo
e, depois, lento, afastou-se,
e nunca mais o encontrei.

Num ser pálido e doente
resume-se o que consiste
o segundo amor que amei.
Ele olhou-me tristemente...
Eu olhei-o muito triste...
E nunca mais o encontrei!


Esse amor deu-me o desejo
daquele beijo encontrar.
Mas nunca, reunidas, vejo,
a volúpia desse beijo,
e a tristeza desse olhar...


A voz agoniza nos ecos. Pierrot e Arlequim tendem o ouvido procurando no ar mais uma estrofe.


ARLEQUIM
Essa voz...

PIERROT
Essa voz...

ARLEQUIM
Só de ouvi-la estremeço...

PIERROT
Eu conheço essa voz!

ARLEQUIM
Essa voz eu conheço...
Um sopro de brisa arrepia as plantas.

PIERROT
Escuta...

ARLEQUIM
Escuta...


PIERROT
Ouviste?

ARLEQUIM
Um sussurro...


PIERROT
Um lamento...

ARLEQUIM
Foi o vento talvez.

PIERROT
Sim. Talvez fosse o vento.

ARLEQUIM
Conta a história, Pierrot.


Pierrot continuando:

Numa noite divina
como tu, num jardim, encontrei Colombina. Loira como um trigal e branca como a lua.

ARLEQUIM
Era loira também?


PIERROT
Tão loira como a tua...
Eu descera ao jardim quebrado de fadiga. Dançavam no salão...

ARLEQUIM, interrompendo:
... uma pavana antiga,
e notaste ao luar a cabeleira crespa...

PIERROT
... a anca em forma de lira...

ARLEQUIM
... e a cintura de vespa!

PIERROT
Mãos mimosas, liriais...


ARLEQUIM
Em minúcias te expandes!

PIERROT
Um pé muito pequeno...

ARLEQUIM
Uns olhos muito grandes!
Uma mulher igual à que encontrei na vida?

PIERROT, ofendido:
Enganas-te, Arlequim, nem mesmo parecida!
Era tal a expressão do seu olhar profundo,
que não pode existir outro igual neste mundo!
Felinamente ardia a íris verdoenga e dúbia,
como o sinistro olhar de uma pantera núbia.

Esses olhos fatais lembravam traiçoeiras
feras, armando ardis nos fojos das olheiras!
Tão vivos que, Arlequim, desvairado, os supus
duas bocas de treva e erguer brados de luz!
Tripudiavam o bem e o mal nos seus refolhos.


ARLECRIM, cismando:
Essas coisas também ardiam nos seus olhos...

PIERROT
Tive medo, Arlequim! Vendo-os, num paroxismo
eu tinha a sensação de estar sobre um abismo.
Não sei porque o olhar dessa estranha criatura
era cheio de horror...e cheio de doçura!
Eu desejava arder nessas chamas inquietas...

ARLEQUIM
Tendo o fim dos Pierrots?

PIERROT
Tendo o fim dos Poetas!
Aconcheguei-me dela, a alma vibrante louca, o coração batendo...


ARLEQUIM
E beijaste-lhe a boca.

PIERROT, cismarento:
Não...Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios...
Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios,
esse beijo que morre assim como um gemido,
sem ter a sensação brutal de ser colhido...


ARLEQUIM
E que disse a mulher?

PIERROT
Suspirou de desejo...

ARLEQUIM , mordaz:
Preferia, bem vês, que lhe desses um beijo!

PIERROT
Não. Ela olhou-me. Olhei... E vi que, comovida, sentiu que , nesse olhar, eu punha a minha vida...
Um silêncio cheio de angústias vagas.
Sob o luar claro as almas brancas dos
Lírios evocam fantasmas de emoções
mortas. Os espectros das memórias
parecem recolher, como numa urna invi-
sível, a saudade romântica de Pierrot...

ARLEQUIM, tristonho:
Essa história, Pierrot, é um pouco merencória...

PIERROT
A história desse olhar é toda a minha história.


ARLEQUIM
E não a viste mais?

PIERROT
Nem sei mesmo se existe...

ARLEQUIM, contendo o riso:
É de fazer chorar! Tudo isso é muito triste!

Tomando-o pelo braço, confidencialmente:
Entretanto, ouve aqui, à guisa de consolo:
diante dessa mulher...foste um Pierrot bem tolo!
Aprende, sonhador! Quando surgir o ensejo,
entre um beijo e um olhar, prefere sempre um beijo!

PIERROT, desconsolado:
Lamentas-me Arlequim?


ARLEQUIM
Tu não compreendeste: choro não ter colhido o beijo que perdeste.



O AMOR DE COLOMBINA


II

Uma voz que canta se aproxima.

A VOZ
Esse olhar deu-me o desejo
daquele beijo encontrar,
mas nunca , reunidas, vejo
a volúpia desse beijo
e a tristeza desse olhar!


PIERROT , extasiado:
Escutaste, Arlequim, que cantiga tão bela?


ARLEQUIM
Era dela esta voz?


PIERROT
Esta voz era dela...


rlequim está imerso na sombra e um raio de luar ilumina


Pierrot. Entra Colombina trazendo uma braçada de flores.

COLOMBINA, vendo Pierrot:
Tu? Que fazes aqui?


PIERROT
Espero-te, divina...A sorte de um Pierrot é esperar Colombina!

COLOMBINA
Pela terra florida, olhos cheios de pranto, eu procurei-te muito...


PIERROT
E eu esperei-te tanto!

COLOMBINA
Onde estavas, Pierrot? Entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, dizia a cada flor: “Mimosa flor, não viste um Pierrot muito branco...”

PIERROT
Um Pierrot muito triste...

COLOMBINA
E respondia a flor: “Sei lá... Nestas campinas passam tantos Pierrots atrás de Colombinas...” E eu seguia e indagava: “Ó regato risonho: não viste, por acaso, o Pierrot do meu sonho? “ E o regato correndo e cantando, dizia: “Coro e canto e não vejo” - e cantava e corria... Nos céus, ergendo o olhar, eu via, esguio e doente, o pálido Pierrot recurvo do crescente...


Assim te procurei, entre as balsas amigas, tendo no peito um sonho e no lábio cantigas, só porque, meu amor, uma noite, num banco, eu encontrara olhar de um triste Pierrot branco.

PIERROT
Não! Não era um olhar! Ardia nessa chama
toda a angústia interior do meu peito que te ama
Nosso corpo é tal qual uma torre fechada
onde sonha , em seu bojo, uma alma encarcerada.
Mas se o corpo é essa torre em carne e sangue erguida,
O olhar é uma janela aberta para a vida,
e, na noite de cisma, enevoada e calma,
na janela do olhar se debruça nossa alma

COLOMBINA, languidamente abraçada a Pierrot:
Olha-me assim, Pierrot... Nada mais belo existe
que um Pierrot muito branco e um olhar muito triste...
Os teus olhos, Pierrot, são lindos como um verso.
Minh’alma é uma criança, e teus olhos um berço
com cadências de vaga e, à luz do teu olhar,
tenho ânsias de dormir, para poder sonhar!


Olha-me assim, Pierrot... Os teus olhos dardejam!
São dois lábios de luz que as pupilas me beijam...
São dois lagos azuis à luz clara do luar...
São dois raios de sol prestes a agonizar...


Olha-me assim Pierrot... Goza a felicidade
de poluir com esse olhar a minha mocidade
aberta para ti como uma grande flor,
meu amor...meu amor...meu amor...

PIERROT
Meu amor!

Colombina e Pierrot abraçam-se ternamente. Há, como
um cicio de beijos, entre os canteiros dos lírios. Arlequim,
vendo-os, sai da treva e, com voz firme, chama.

ARLEQUIM
Colombina!


COLOMBINA, voltando-se assustada:
Quem é?

ARLEQUIM
Sou alguém, cuja sina foi amar, com Pierrot, a mesma
Colombina. Alguém que, num jardim, teve o sublime ensejo de beijar-te e jamais se esquecer desse beijo!

COLOMBINA, desprendendo-se de Pierrot:
Tu, querido Arlequim!

ARLEQUIM, galanteador:
Arlequim que te adora...Que te buscava há tanto e que te encontra agora.

COLOMBINA
E procurei-te em vão, mas te esperava ainda.


ARLEQUIM a Pierrot:
Ela está mais mulher...


PIERROT num êxtase:
Ai! Ela está mais linda!

ARLEQUIM, enfatuado, a Colombina:
És linda, meu amor! Nessa formas perpassa
na cadência do Ritmo, a leveza da Graça.
Teus braços musicais, curvos como perfídia,
têm a graça sensual de uma estátua de Fídias.
Não sendo inda mulher, nem sendo mais criança,
encarnas, grande viva, a Flor de Liz de França...
Sobe da anca uma curva ondulante que chega
a teu corpo plasmar como uma ânfora grega
e é teu vulto triunfal, longo, heráldico, esgalgo,
coleante como um cisne e esbelto como um galgo!

COLOMBINA, fascinada:
Lindo!

ARLEQUIM


E não disse tudo... E não disse do riso
boêmio como ébrio e claro como um guizo.
E ainda não falei dessa voz de sereia
que, quando chora, canta, e quando ri, gorjeia...
Não falei desse olhar cheio de magnetismo,
que fulge como um astro e atrai como um abismo,
e do beijo, que como uma carícia louca...
inda canta em meu lábio e inda sinto na boca!

COLOMBINA com um voz sombria de volúpia:
Fala mais, Arlequim! Tua voz quente e langue
tem lascivo sabor de pecado e de sangue.
O venenoso amor que tua boca expele,
põe-me gritos na carne e arrepios na pele!
Fala mais, Arlequim! Quando te escuto, sinto


O desejo explodir das potências do instinto,
O brado da volúpia insopitada, a fúria,
do prazer latejando em uivos de luxúria!
Fala mais, Arlequim! Diz o ardor que enlouquece


a amada que se toca e aos poucos desfalece,
e que, cega de amor, lábio exangue, olhar pasmo,
agoniza num beijo e morre num espasmo.
Fala mais, Arlequim! Do monstruoso transporte


que, resumindo a vida, anseia pela morte,
dessa angústia fatal, que é o supremo prazer
da glória de se amar, para depois morrer!

PIERROT, num soluço:
Ai de mim!...

COLOMBINA, como desperta:
Tu Pierrot!

PIERROT, num fio de voz:
Ai de mim que, tristonho, trazia
à tua vida a oferta do meu sonho...Pouca coisa, porém... Uma alma ardente e inquieta arrastando na terra um coração de poeta.
Na velha Ásia, a Jesus, em Belém, um Rei Mago, não tendo outro partiu através de
Cartago, atravessando a Síria, o Mar Morto infinito, a ruiva e adusta Líbia, o mudo e fulvo Egito, as várzeas de Gisej, o Hebron fragoso e imenso, só para lhe ofertar uns grânulos de incenso... Também vim, sonhador, pela vida, tristonho, trazer-te o meu amor no incenso do meu sonho.

COLOMBINA com ternura:
Como te amo, Pierrot...

ARLEQUIM
E a mim, cujo desejo te abriu o coração com a chave do meu beijo? A tua alma era como a Bela Adormecida: o meu beijo a acordou para a glória da vida!

CALOMBINA fascinada:
Como te amo, Arlequim!...

PIERROT
desvairado pelo ciúme, apertando-lhe os pulsos,
numa voz estrangulada:
A incerteza que esvoaça desgraça muito mais do que a própria desgraça. Escolhe entre nós dois... Bendiremos os fados sabendo o que é feliz, entre dois desgraçados!

ARLEQUIM
Dize: Queres-me bem?

PIERROT:
Fala: gostas de mim?

COLOMBINA, hesitante:

A Pierrot:
Eu amo-te , Pierrot...

A Arlequim:
... Desejo-te, Arlequim...


ARLEQUIM, soturnamente:
A vida é singular! Bem ridícula, em suma... Uma só, ama dois... e dois amam só uma!..

COLOMBINA , sorrindo e tomando ambos pela mão:
Não! Não me compreendeis... Ouvi, atentos, pois meu amor se compõe do amor de todos dois... Hesitante, entre vós, o coração balanço:

A Arlequim:
O teu beijo é tão quente...

A Pierrot:
O teu sonho é tão manso...

Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!


Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu... outro fala da terra!


Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade...
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:


PIERROT
Um sonho de Pierrot...

ARLEQUIM
E um beijo de Arlequim!




sábado, 21 de novembro de 2009

Circus Parade & La Folie

I would like to share with you guys two Kitschy Digitals projects.

The circus parade, a three-dimensional paper project:





And La "Folie", a page layout where I worked a 3Lambs Designs photo:



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Paper Christmas tree tutorial

Just a simple paper tree-dimensional Christmas tree for today.

Materials:
Green cardstock
Cardboard
Patterned Paper
Glue
Puffy Paint
Pencil
Craft knife or scissors
Jump rings
Heat gun

How-to:

1) First you have to resize and print these three shapes.




2) Trace these shapes onto green cardstock and cardboard and cut them out as shown in the picture.



3) Let´s put everything together. First, glue the three shapes whith the cardoard in the middle to give your project firmness.




4) Cut the slits and interlock them.



5) Add puffy paint to the corners.




6) Use the heat gun.



7) Cut circles



8) And spirals




9) Make holes

 

10) Create danglilng decoratins with cut out elements from patterned paper




11) Arrange the spirals





In Portuguese:

A- Material necessário:



1 folha de Cardstock verde

2 folhas de papel para scrapbooking com tema de Natal
Tesoura
Cola
Ferramenta Crop-a-dile ou similar
Argolas do tipo utilizada na confecção de bijouterias
Alicate de bijouteria
Tinta branca Acripuff
Aquecedor


B - Instruções

Cole os triângulos como demonstrado abaixo, deixando o papelão no meio de cada triângulo de papel, para dar sustentação e firmeza à árvore 
Promova os cortes indicados nos moldes e encaixe um triângulo ao outro 
Passe tinta branca do tipo Acripuff nas laterais para dar um melhor acabamento 
Esquente com aquecedor para que a tinta possa crescer, dando um aspecto de neve às suas bordas. Deixe secar bem. 
Corte dois círculos de 13 cm de diâmetro 
E recorte duas espirais
Com a ajuda de ferramenta do tipo crop-a-dile, faça pequenos furos em sua espiral
Recorte seus enfeites para a árvore e faça pequenos furos na parte de cima. Passe argolinhas pelo furo do tipo utilizada na confecção de bijouterias
Adicione o enfeite às suas espirais
Complete a colocação de enfeites e argolas em todos os furos
Adicione a segunda espiral ou somente alguns pedaços dela, para completar espaços vazios 
É um enfeite perfeito para mesas de escritório!
Espero que tenham gostado.

Imprima os moldes em formato triangulares fornecidos abaixo
Usando-os como molde, trace e recorte as formas abaixo: 2 de cada triângulo em cardstock verde e mais duas formas em papelão 

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Some colorful layouts

Just playing with titles and the page´s movement while working with some adorable My Little Shoe Box and Prima Marketing papers for Olimpia´s closet.








sábado, 14 de novembro de 2009

Believe - a Harlee Quinnz Pop-Up Card

This three-dimensional card recreates the fairytale mood. Its greeting theme is "Believe".

 It´s a pop-up card, that involves folding tabs in order to allow the stamped embellishments inside to srping right off the card. It was made with the Butterfly Garden Collection from Harlee Quinnz. 


















Harlee Quinnz Design Supplies:

The Butterfly Garden Collection Papers: Summers Garden, Rainbow Garden, Garden Light, Butterfly Garden, Garden Path, Garden of Dreams.

Stamps: Garden Icons Set; Fairies Set; Garden Journal Set

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fancy Pants Dancing Girls collection

I worked this collection for Yummy´s... Isn´t it nice?

My first piece is a layout page... I love lazy days.





The second is my "End of the fairytale" wall art




And last, another layout page (8,5`` X 11``)... Princesses...




You can find this collection here

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Another weekend at the beach

I´m just living my life with no time to scrap...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Altered book free class has started today

The altered book is an art form in which artists recycle or transform existing books into new works of art through words, memorabilia, paints, draws, gesso, glue, stamps, paper, thoughts and a lot of excitement! While altering a book you will add your own work of art. You can cut niches, add pictures, images, fiber, ribbon, lace, ephemera, beads, etc. You can tear away pages, glue them, use collage, photomontage, writing or anything else you want and you also might opt to incorporate words, text, or images from the existing book, or not. There are no rules, it´s just a way to express yourself. First example
















In this example I worked with a second hand Disney´s “Bambi” book and worked it as if it were a notebook. In this case, I just glued some pages and used some collage techniques by layering and adding images, papers and three-dimensional objects. I also have written a story and add over the book´s text. I thought of recreating Disney´s fantasy in my own words mixing other elements that are part of my own life. I chose not to tear pages in this case as my book wasn´t thick, but I insist you should not hesitate on tearing a book page. You can spread a thin coat of gesso to prepare a base for you to write on or you can just print , cut and glue your words to the pages. Go ahead, all you have to do is to put aside some images, papers, photos and scrapbooking embellishments and try! Another example of an altered book which is almost a notebook is my Inspired by Amélie notebook. This book was altered with the intention of serving as an idea inspiring book. For this book, I used the front and back covers from the a children´s hard cover book - Golden Book and added pages and files from other sources… For the cover, I added small pieces of patterned paper and painted everything with acrylic paint. Next, I added other layers, basically, using collage. All you have to do is take off the covers, separating them from the pages. Then you can use a crop-a-dile to make holes and insert other pages. Gather them up with whatever you want. It can be ribbon, folder rings, clips, etc.
















The last example I wanted to show you is one traditional altered book where I worked the freedom-beach theme. It´s called Sunshine Bliss. In this book you can see some special techniques like shadowboxes, texture,and pop up elements.



















Register to AMM and you´re going to be able to see the 3- day class... The first lesson is here

domingo, 8 de novembro de 2009

If money weren´t an issue...

If money weren't an issue what would you do (with your time career or otherwise)? This is the new prompt at the Creative Therapy website. What I had to say about this: "I found out later in my life that I wanted to be a full time artist, maybe a theater set designer. So, if I didn´t have a great job, that pays very well, I would probably try this career" My journaling.. I dream of being just myself, A person without any obligation, A woman free to be just who she is Photo by Flavio

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

The woman behind the veil...

Just me in a special light by Flavio´s lenses...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

layouts Vale do Papel

Esses foram os dois projetos da aula de 03 de novembro da Vale do Papel.








O primeiro, La vie est belle, confeccionado com Postcards from Paris, da Websters, eu inseri um pocket à página, no formato de um corpete. Nesse pocket pode-se adicionar fotos, journaling, etc.
Vou deixar moldes deste pocket aqui, para que vocês possam imprimi-los e aplicá-lo às suas páginas, cartões ou enfeites. O corpete fica muito bonito em todas essas situações.























A segunda página é a Favorite Toy, adaptada para uma aula mais extensa de duas horas, o que significa carregar um pouco mais na quantidade de elementos e embellishments. Gostei dela mais alegre com os contornos de canetinha e adorei o monstrinho de patins e novos adesivos! Dêem uma conferida! As meninas da aula curtiram muito!


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aparados da Serra - Brazilian Canyons

I went to the south of Brazil for a holiday and visited the Brazilian canyons in the Aparados da Serra National Park. Enjoy my photos!























In Portuguese
Aproveitando o feriado de finados, pegamos a estrada em direção ao sul, para encontrar e conhecer os maiores canyons do país. Depois de um dia árduo, em que atravessamos o sul do país por estradas difíceis, dentre as quais não faltou o mistério e o receio de ter de passar por um trecho de estrada de terra envolvido totalmente em brumas, ultrapassamos a fronteira dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e, em Cambará do Sul, atingimos o aconchego do hotel Parador Casa da Montanha.

O local, com suas cabanas térmicas inspiradas nas africanas, mas totalmente adaptado ao clima e à matéria prima do Rio Grande do Sul, é um show a parte. Um projeto inédito em que a gastronomia típica do Rio grande do Sul e as belezas naturais da região, encontram charme, conforto e espírito de aventura.






















Logo na primeira manhã, não foi difícil relaxar ao acordar escutando o barulho de pássaros e da água que corre bem próximo às cabanas. Ao abrirmos as cortinas de nossas cabanas, tivemos a surpresa de observar a cerração ainda baixa e as ovelhas pastando por ali. Nada obstante a localização em APP, o impacto de estruturas de madeira e lonas é bem pouco à natureza e o hotel, sem dúvida, foi um dos pontos altos da viagem, integrando-nos perfeitamente à natureza.

















O sol iluminou e aqueceu nosso passeio rumo ao Canyon Itaimbezinho, principal atrativo do Parque Nacional de Aparados da Serra. Na borda do Canyon, seguimos duas trilhas, primeiro, a trilha de 6km conhecida por trilha do cotovelo, da qual pudemos observar 70% do canyon Itaimbezinho.

















Depois, a curta, mas não menos interessante, trilha do Vértice, da qual vislumbramos a cascata das andorinhas e a cachoeira Véu de Noiva. 


  

O dia seguinte foi reservado à visitação ao Canyon Fortaleza, uma das maiores belezas naturais existentes no Brasil. Suas escarpas atingem em alguns lugares 900 m de altitude. O nome Fortaleza deve-se à configuração do terreno talhado de tal forma que lembra as muralhas de um forte com suas pontes e torres. Entre as inúmeras belezas que formam o Fortaleza destaca-se a Cachoeira do Tigre Preto que é formada por três quedas. A primeira, com cerca de 30 m, a segunda com aproximadamente 150m e a terceira, a mais alta, com 250m.



Outro ponto de destaque do Fortaleza é a Pedra do Segredo, um bloco monolítico de 5m de altura que está apoiado numa pequena base de 40cm, dando a impressão que num simples empurrão ela cai. Obra caprichosa da natureza, no entanto, ela está ali, firme e majestosa à espera de quem a queira admirar. A caminhada até essa pedra, no entanto, debaixo de um sol de mais de 30 graus não foi nada fácil. 
 





















  Ainda bem que os passeios pelos canyons eram restritos aos períodos da manhã e, podíamos reservar a tarde para nada além de descansar, colocar a leitura em dia, tomar um bom vinho, aproveitar a luz de nossa cabana para fotos ou fazer um agradável pique-nique. 

































À noite, nosso refúgio possuía encantos ainda mais especiais, à luz da lua e da iluminação artificial das barracas, oferecendo-nos um jantar em que o prato principal era um original risoto de caças (coelho e javali) com funghi chileno.  














Por fim, no último dia de nossa estada, passeamos pela exuberante Cachoeira dos Venâncios. A cachoeira é uma inacreditável extensa formação de rochas cercada por uma ilha de pedras que nos proporcionou um banho gelado e delicioso!